Julie Jones

Durante a gravação de um novo álbum do cantor Ivan Lins, o baixista Artur Maia, meu amigo pessoal, estava usando um acessório que eu produzi – um bracelete de prata e pérola bem exótico, que ficava bonito em seu braço. O diretor musical deste trabalho era o marido da Jolie Jones e por isso, ela estava naquela gravação.


Ao ver o bracelete, diz Artur que ela ficou enlouquecida e com isso, ele me ligou em um dia de semana, à tarde, dizendo que tinha uma pessoa importante querendo me ver, mas não podia falar quem era. Cerca de três horas depois, estava eu entrando no estúdio de gravação.

Percebi, quando cheguei, que todos já estavam me esperando. Passando em uma antessala, vi uma mulher muito bonita de olhos verdes e o Arthur veio falar comigo, me levando até esta mulher. Explicou quem eu era e com isso, disse que gostaria que eu fizesse um trabalho exclusivo para ela.

A proposta era criar uma gargantilha e um anel para ela, do jeito que eu melhor desejasse. Daquele dia em diante, comecei uma amizade com Ivan Lins. Marquei o dia para levar no hotel as peças prontas, durante o final de semana. Fui para casa com essa pesada missão, já que ela era, além de artista plástica, filha do Quincy Jones  – que, além de grande maestro, foi o empresário do Michael Jackson. Não dormi durante a noite, tentando idealizar algo – o prazo era bem curto, de apenas três dias e nada podia dar errado.

Nesse meio tempo, encontrei a ideia que procurava e durante o resto dos dias, executei no ateliê. Eu mesmo executei o processo de realização delas. Comecei a pensar, na verdade, algo que não brigasse e sim complementasse a beleza dela. Assim, terminei dentro do prazo e consegui entregar a ela pessoalmente.

Às nove da manhã do sábado, fui no hotel no qual ela estava hospedada e subindo na cobertura, um segurança abriu a porta e foi chegando até onde tinha uma enfermeira aplicando glicose nela: ela ainda estava bêbada. Tomei café da manhã com ela e disse que estava ansiosa para ver o que eu havia trazido.

Primeiro, abri a caixa do anel e ela ficou espantada com a grande ametista – uma pedra típica do Brasil, de cor roxa. Era um anel no qual a pedra ficava inclinada e quando a luz do sol refletia na pedra, ficava iluminada deixando a mão toda roxa quando batia na luz. Ela ficou maravilhada.

Quando abriu a gargantilha, com um hobby de onça, toda descabelada com uma gargantilha de prata com uma grande madrepérola, formou um visual inesquecível. Ela realizou o pagamento em dinheiro e me fez prometer que iria para Los Angeles ser seu convidado de honra, para uma festa especial a ser realizada para mim. Acabei não indo, já que tinha 20 anos e tudo era grande demais para mim. Não tinha nem ao me nos peças para levar. Momentos como esse são inesquecíveis.